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a concluir a reflexão Não custa viver, custa saber viver. Depois de explorar o pessimismo e o otimismo enveredo pelo realismo. Li no dicionário online de português do brasil, que ser Realista era o contrário de: criativo, subjetivo, irreal, romântico, sonhador (https://www.dicio.com.br/realista/). Não me contentando com isto, senti necessidade de ver a definição no dicionário da Priberam. Realista: é aquele que se prende ao que é real e que se adequa a uma situação.

Saber viver implica adaptarmo-nos à realidade na sua multi-dimensionalidade de espaços e tempos, tal como os nossos ancestrais o fizeram. A nossa história  pessoal é feita de lugares por onde passamos, casas onde vivemos, ambientes que visitamos ou sonhamos visitar.  A nossa história é feita de memórias, sonhos, pessoas e emoções. É esta complexidade, de desafio constante que faz jus ao Custa Viver! 

Cá para nós, sinto que é uma arte eu continuar a soprar as velinhas do bolo ano após ano. E ainda cá estou! É isso que eu penso, cada vez que sopro a quantidade exacta de velas. Sim, apago décadas de velas e de cada vez que isso acontece percebo que o bolo vai ficando cada vez maior …

E tendo chegado a este momento na sua vida, pode afirmar que tem sabido viver? Mudaria alguma coisa? Arrependimentos? Sente-se realizado? Em equilíbrio? ou sente a necessidade de continuar a evoluir e a melhorar-se como pessoa?

Saber viver exige inteligência e competência. 

Realço a inteligência que advém da nossa capacidade de aprender com os erros. Aquela inteligência que aguça o engenho cada vez que resolve um problema. A inteligência que aprende com a experiência; que vê a árvore e a floresta; que gere eficazmente emoções, pensamentos e relacionamentos. A inteligência da saúde. Esta inteligência é preciosa!

Incluo ainda a competência. Aquela de sermos criativos e verdadeiramente livres nas decisões que tomamos. Refiro-me a fazermos escolhas conscientes. Sermos fiéis a nós próprios quando as mudanças nos assaltam com incertezas, separações, e conflitos externos ou internos. Desencadeiam-se desequilíbrios corporais, emocionais e espirituais que interferem com os nossos comportamentos e perspectivas. Há que ser competente em reorganizar o pensamento, encontrar estratégias, e mobilizar a nossa ação para a transformação.

Quando nos sentimos esmagados física ou emocionalmente, adoecemos. E a doença fala conosco. Ela pode evidenciar a qualidade das nossas relações. Há pessoas que não nos fazem bem. Despertam o pior de nós, sugam-nos energia e retiram-nos poder pessoal. São vampiros, dirão alguns, são tóxicas dirão outros. E mantermo-nos nestas relações não nos traz saúde. Portanto, o que é que me mantém neste tipo de relacionamentos? 

Sim, porque manter esse tipo de relação faz de mim cúmplice nessa dinâmica. Assim, estou a contribuir ou a co-criar essa realidade permitindo que o outro me contamine com as suas frequências negativas e não me respeite. 

A doença também sinaliza maus hábitos, ou seja, a maneira como nos tratamos ou destratamos a nós mesmos. Refiro-me ao cuidado com o nosso corpo físico mas também à qualidade dos nossos pensamentos e emoções. Cuidamos da nossa higiene mental? ou entregamo-nos a pensamentos inúteis, limitados e sabotadores?

Cultivar a saúde integral significa sair da zona de conforto e ir à luta. Querer é poder, não é? É tentar, é cair, é aprender a levantar (de novo) e é continuar a evoluir. É persistência e resiliência. Lições que a pandemia tornou evidentes, para algumas pessoas.

Saber viver é saber navegar na corrente e no fluxo da vida com realismo e sem perder a perspectiva.

Ser realista significa atender à vida de forma ajustada (inteligência) e equilibrada (competência), sem perder o pé (criatividade). 

Há que ser realista em avaliar as dificuldades, tendo em conta os factos numa abordagem objectiva, mas sobretudo, deixando espaço para a introspecção, para a auto-análise e reflexão. Saber pensar o EU, os OUTROS e o MUNDO. E neste sentido é fundamental aprendermos a pensar.

Contudo, ser realista também pode implicar ficar demasiado colado à realidade ou obcecado com determinados factos. Ficarmos muitos presos à realidade ou reféns dela limita o acesso à criatividade i.e. àquele espaço mental onde se elaboram alternativas, se visualizam soluções e se imaginam caminhos. 

Ser realista? Sim. Mas convém adicionar um outro ingrediente para este saber viver ser mais eficaz e eficiente. Ser positivo! Atenção, não confundir com ser otimista. Existem algumas nuances essenciais.

Ser positivo é olhar com curiosidade para nós mesmos, para os outros e para o mundo sem medo. É estar disponível para viver e pronto para aprender a lição por detrás de cada provação. É estarmos seguros na nossa capacidade de enfrentar um desafio com engenho criativo rumo a um bem-estar maior. Ser positivo transcende ser realista uma vez que acrescenta uma perspectiva de felicidade individual e colectiva. 

Complementarmente ao estudo sobre as doenças mentais, vários investigadores têm vindo a estudar as bases e razões que estão na origem do bem-estar psicológico e emocional. Esta investigação foca-se naquilo que contribui para a nossa felicidade ou bem-estar e como podemos potenciar uma vida plena com significado e propósito. Alguns dos resultados permitem afirmar:

  • As emoções positivas estão correlacionadas com a longevidade e mais saúde (Diener y Chan, 2011)
  • As pessoas felizes têm melhores relacionamentos com os outros (Peterson, 2006)
  • Os indivíduos que utilizam as suas forças e virtudes pessoais no trabalho desfrutam mais daquilo que fazem e são mais felizes (Harter y Rath, 2010)
  • As pessoas que expressam frequentemente gratidão têm melhor saúde, mais otimismo, bem estar, colaboram mais com os outros e progridem mais no alcance das suas metas (Emmons & Crumpler, 2000)

Por tudo isto e mais (a explorar noutro artigo de refexão), saber viver para mim é ser positivo! e reformulo, 

Não custa viver, custa saber Ser Positivo. Talvez seja neste lugar que reside a alegria de viver.

Dê a sua opinião. Considera-se uma pessoa realista ou positiva? Participe na sondagem!

Link para Poll:

https://poll.app.do/positivismo

 
Veja a parte 1:
https://paulaguerrinha.com/2021/05/05/nao-custa-viver-custa-saber-viver-parte-1-3/
 
Veja a parte 2:
https://paulaguerrinha.com/2021/05/11/nao-custa-viver-custa-saber-viver-parte-2-3/

 

 

 

Maria Paula Guerrinha
Arte-Psicoterapeuta

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