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Outros de nós, colocamos a nossa atenção no otimismo, no “vai correr tudo bem”, “podia ser pior”, ou, em afirmações repetidas como mantras, para reforçar a convicção, e criar uma perspectiva mais animadora (de si, dos outros e do mundo). Recorremos até às famosas e abundantes frases motivacionais que nos vão dando conta de que há outras maneiras de olhar, ou de dar atenção aos eventos que vão ocorrendo na nossa vida. Nas redes sociais proliferam e animam o nosso dia (ou não). Contudo, apesar de excessivas, essas frases despertam a nossa atenção e curiosidade. E muitas vezes são elas que nos levam a refletir um pouco mais sobre nós. 

O otimismo é um espectro e por conta disso podemos, tal como o pessimismo, ser mais ou menos otimistas. Podemos falar de um otimismo delirante, i.e., fora da realidade, ou de um otimismo mais ajustado, e positivo. Mais uma vez depende do que é que estamos a falar.

Há pessoas que olham para o futuro com otimismo mas que olham para o que lhes aconteceu (passado) com pessimismo. Há determinados fragmentos da sua história de vida que estão entalados, por resolver ou simplesmente varridos para debaixo do tapete. São aquelas pedras no sapato ou sapos engolidos. Pode ser um acontecimento de vida como um divórcio, morte, desemprego ou doença. Pode ainda ser uma pessoa, amigo, familiar ou patrão. Seja o que for que nós não tenhamos assimilado devidamente na nossa mente, essa memória, essa vivência, acabará por nos acompanhar sob a forma de sombra. Ensombra-nos. Este lado sombra, da nossa personalidade, está à espera de uma situação gatilho (trigger) para se revelar. E o seu tempo virá. Sintomas depressivos, ansiosos, irritações, preocupações, fobias ou medos de fracasso, sinalizam a necessidade de olhar para trás para poder seguir em frente. Uma revisão de vida impõe-se de tempos a tempos. E há momentos que precisamos de PARAR para REPARAR. Parar para olhar outra vez: re(parar) mas também para reparar (consertar).

E nesta linha de pensamento costumo utilizar a metáfora do espelho retrovisor. Imaginem que estão a conduzir um carro. Se houver necessidade de mudar de faixa terão de accionar o respectivo pisca e utilizar o espelho retrovisor para assegurar que não vem outro carro nessa faixa. Se demorarem muito tempo a olhar para trás correm o risco de embater num obstáculo à vossa frente. E se não olharem para trás correm o risco de levar com um carro que seguia na faixa de rodagem ao vosso lado. 

Portanto, há que saber olhar para trás quando isso for útil para podermos continuar a caminhar e a sentirmo-nos bem. Investir no auto-conhecimento e numa vida mais consciente e inteligente não é um luxo ou um disparate. Mas antes, uma escolha rumo a um maior equilíbrio.  

Quando o pessimismo em relação ao passado invade o presente e contamina a nossa perspectiva de futuro, então, neste caso resta-nos a medicação e a entrega ao criador. Mas, não vamos ser pessimistas …

E quando observamos pessoas com excesso de otimismo? Dizemos que têm a cabeça nas nuvens, que são demasiado sonhadoras, idealistas ou irrealistas. Consideramos que não estão a ver bem a situação e a ponderar todas as variáveis. Muitas destas pessoas têm tendência a ser impulsivas e outras a não aprenderem com os erros, repetindo padrões de insucesso.

“Quando o idealista mete a mão na algibeira, torna-se inconscientemente realista”. Emanuel Wertheimer

Portanto, excesso de otimismo ou pessimismo nem muito nem pouco. Há uma dose certa para cada um de nós. 

Vou conseguir aquele emprego? ou fechar aquele negócio? Vou conseguir ser feliz um dia? Vou encontrar o amor? Vou ter saúde? Vou ficar sozinho/a?

Respondemos com pessimismo, otimismo ou realismo?

O contexto sócio-cultural e a nossa experiência individual impelem-nos para sermos de uma determinada maneira. Todos os dias são relatadas situações trágicas nos media contribuindo para que nalgumas pessoas se intensifique o estado de pessimismo. As notícias despertam-nos pessimismo ou otimismo. Inspiram-nos para a desgraça da humanidade ou motivam a nossa resiliência e generosidade? Damos atenção a quê? 

Tanta gente neste mundo manifesta criativamente todos os dias, ações de bondade, compaixão e superação. Tanta gente encontra pontos de luz na escuridão quando sente que alguém se importa. E num quadro de pandemia, sentimos pela primeira vez um sentimento de ameaça coletiva. E frases como “Estamos juntos” ou “Vai ficar tudo bem” vindas de toda a parte do planeta terra, em várias línguas e formatos, lembram-nos que podemos todos em união transcender o ruim. Dar atenção a este lado da vida, significa procurar o que de bom a humanidade tem, nós temos, enquanto humanos que somos. 

Custa saber viver. Saber equilibrar a dosagem certa de cautela e de ilusão. Ser realista.

E você, considera-se uma pessoa Otimista? Participe na sondagem:

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Veja a parte 1:
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Maria Paula Guerrinha
Arte-Psicoterapeuta

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